O ESPÍRITO SANTO CONVIDA À VIDA

Célia Silva Jachemet

Cidade de Guaíba – RS, junho de 2007, Bairro Alegria, domingo, 8 horas de uma manhã de 7C°. Até a água do Rio parece tremer. O sol tímido espia entre as árvores. As casas quase todas fechadas e os moradores parecem ter fugido da rua.

Depois de percorrer cerca de três quilômetros margeando o Guaíba e as belas vivendas, eis que surge o colorido de uma igrejinha em forma de chalé, com a imagem de Santa Rita pintada na parede. Na frente dela pessoas aguardavam a chegada de muitas outras. Era a preparação para a procissão do Divino Espírito Santo.

Uma banda marcial, vestida de vermelho e dourado, organiza-se para puxar o cortejo. O andor com o esplendor do Divino , decorado com flores brancas e vermelhas está também posto em frente à igreja. Frades vestidos de branco e de preto puxam cantos, pessoas com fitas coloridas no braço organizam a procissão para andar até a Paróquia Nossa Senhora da Paz, a cerca de dois quilômetros. Homens e crianças aguardam montados em cavalos, para fechar o cortejo. Mais de uma dezena de bandeiras vermelhas, tendo no centro o emblema do Paráclito e encimadas por uma pomba branca, enfileiram-se atrás da banda. A seguir, homens e mulheres caracterizados com trajes típicos açorianos (Grupo da Casa dos Açores do Estado do Rio Grande do Sul), estão prontos para participarem do desfile em homenagem ao Espírito Santo e ao povo que trouxe para o Estado o Culto e as festas do Divino. Portam também um a Bandeira do Espírito Santo e a ‘ Coroa do Imperador’ (da festa).

O grupo de frades anima os cantos e as orações e dá o comando.

Então segue a procissão. À frente a cruz e o andor carregado pelos festeiros. Após, o Padre Adilson Corrêa, descendente de açorianos e seus assessores: coroinhas e diáconos.

O padre ostenta sobre a batina preta, uma capa branca e uma sobrecapa em brocado branco e dourado. Na cabeça, o tricórneo (Chapéu de três pontas, cujo uso é permitido ao pároco no seu domínio paroquial). Esta vestimenta está sendo resgatada por alguns padres jovens da Arquidiocese de porto Alegre. Desde o Concílio Vaticano Segundo os padres deixaram de usá-la.

Na seqüência, as bandeiras Nacional, do Estado e do Município, a banda, o cortejo das bandeiras do Divino, o povo, o grupo da Casa dos Açores, os ministros da Eucaristia e , fechando o cortejo, os cavaleiros.

Voltamos no tempo e lembramos o relato dos antepassados quando falavam das Festas do Divino.

Hoje, centenas de paróquias no Rio Grande do Sul fazem a Festa do Divino Espírito Santo. Algumas delas a fazem há mais de cento e cinqüenta anos; outras resgataram a festa que haviam deixado de fazer por muito tempo e ainda outras, mais recentes, a fazem numa linha pentecostal, carismática.

O fato é que, misturadas estas nuances, o que se observa e se sente é a alegria dos devotos do Divino, atendendo a um convite à vida espiritual, dirigida pela Terceira Pessoa da Santíssima Trindade, devotos do Divino ressaltando a cor local de cada comunidade.