DE TUDO UM POUCO PARA OS LADOS DE PORTUGAL

ANGRA DO HEROÍSMO É NOSSA IRMÃ AÇORIANA

Marilia Daros - Jornalista e Historiadora de Gramado

O Arquipélago dos Açores é constituído de 9 ilhas dispersas em meio ao Oceano Atlântico: São Miguel e Santa Maria,que formam o grupo Oriental. Terceira, São Jorge, Pico, Faial e Graciosa, que forma o grupo Central. Flores e Corvo, que forma o grupo Ocidental. Entre a Europa e a América do Norte ( a 760 milhas marítimas de Lisboa e 2110 de Nova Iorque ). Albergam uma população residente de cerca de 237.000 habitantes numa área de 940.000 Km2. Desde 1976 é reconhecida como Região Autônoma dos Açores, consagrada pela Constituição da República Portuguesa e dotada de personalidade jurídica de direito público. Administrada por um Governo Regional cuja Presidência está sediada na cidade de Ponta Delgada, Ilha de São Miguel, e pela Assembléia Regional (Câmara dos Deputados), com sede na cidade da Horta, Ilha do Faial, órgão democraticamente eleitos por sufrágio universal. A Região tem Bandeira, brasão de armas, Selo e Hino próprios aprovados pela Assembléia Regional.

Falar de Angra do Heroísmo, é falar de tudo um pouco... De passado, de presente e de sonhos futuros.

"Eles não sabem que o sonho é uma constante da vida , tão concreta e definida, como outra coisa qualquer,como esta pedra cinzenta em que me sento e descanso. Como este ribeiro manso, em sereno sobressalto. Como estes pinheiros altos que em verde e oiro se agitam, como estas aves que gritam em bebedeiras de azul. Eles não sabem, nem sonham, que o sonho comanda a vida. Que sempre que um homem sonha o mundo pula e avança, como bola colorida , entre as mãos de uma criança." ( Manuel Freire - Portugal)

“Angra tem a cor da vida, um aroma de pão quente e amizade bem entendida na fartura desta gente...” (cantiga das Sanjoaninas, festas populares da Ilha Terceira ) .

Andar em Angra, subindo e descendo suas ruas históricas limpas e calçadas educadas, representa ouvir as vozes de seus escritores e cantadores mais especiais, desde Almeida Garret, passando por Vitorino Nemésio no meio da caminho e batendo de frente com Álamo de Oliveira que pode estar em qualquer cantinho estético da cidade. Pode cruzar, a qualquer momento, com um Império do Divino Espírito Santo, repleto de arte e fé. E na Praça Velha, coração da cidade, olhar a majestade do Passo do Conselho de Angra, onde o povo e o turismo convivem com um poder extremamente sensível. Comidas? Tudo o que você pode sonhar de bom... As favas ao molho, as alcatras macias, os torresmos, as murcelas... E uma variedade infinda de pães. Tudo regado a um maravilhoso “vinho de cheiro”, irrecusável, terminando com um cálice de “angelica” lá do Brum, dos Biscoitos. E se você gosta de frutos do mar, existem as cracas, as lapas, polvos, lagostas, peixes, peixes e peixes... Se você chegar em junho, entra nas SANJOANINAS, a grande festa da Terceira, e em meio às “tascas” ( tendas de degustação ), você pode comer a “fartura” ( parecida com os nossos grôstolis italianos ), se deliciar com os temperos da cozinha colonial portuguesa e ainda, beber a delícia da “sangria”, típica da região. Artesanato? Saiba que nas ilhas dos Açores, nenhuma fibra é dispensada, nem tampouco escamas ou cascas. A arte com a hortênsia bem que podíamos copiar ! A utilidade do “cedanho”, corda tramada com fios de caudas ! As flores de escamas, os bordados sobre linho branco, entremeios, rendas e palhas modeladas de todos os tipos e todas as formas... Pode sair pelo interior bem cedinho e ver uma “ordenha-móvel” convivendo com os animais no pasto de cada quinhão, cercado de taipas tão belas quanto as nossas... Com cheiro de terra serenada e com uma “bruma” leve que sempre está a abraçar as ilhas. Se tiver sorte pode pegar um café da manhã nos Altares, com a família Álamo, num destes recantos que, mesmo coloniais, são privilegiados pelos bons acessos e com o convívio permanente do mar. E vai conhecer uma verdadeira confraria do vinho, museus abertos, sinalização perfeita em qualquer encruzilhada.

Vai se aproximar de uma “Casa do Povo” que existe em cada freguesia , onde o som de uma Filarmônica anuncia que a arte está ali, presente, naturalmente, incentivada e bem-dotada. Vai cruzar por “alminhas domésticas”, que são os nossos “capitéis da fé”, e vai parar para agradecer a Deus por tudo o que está vivendo. E se olhar para o alto, vai se deparar com grandes elevações vulcânicas adormecidas, onde tudo é patrimônio preservado com rigorosas leis de proteção. Plantas endêmicas e tanta hortênsia que a gente se pergunta, quem e quando as plantou por aquelas montanhas marítimas.

Os cantares daquele povo terceirence, em especial, das terras de Angra, são os mais festeiros e alegres que você possa ouvir. E vai ter vontade de dançar... E vai dançar em meio aos grupos da terra, que fazem isto todos os dias, para espantar a solidão que o mar lhes impõe. E pode ainda assistir, numa freguesia, uma “toirada à corda” ( com o touro seguro ), ou, se preferir, uma tourada convencional na Praça de Toiros. Se quiser nadar, será em piscinas de água salgada, maravilhosas nos hotéis ou então, em meio aos “Biscoitos”, onde as águas se misturam com as pedras vulcânicas em cenários fantásticos. Pode adentrar num Museu Casa na festeira São Pedro, onde Francisco Ernesto escreve e guarda a arte e a história da ilha. Pode se sentir pequeno diante da profundeza do Algar do Carvão ou da Gruta do Natal e se emocionar diante da força visceral da natureza! Sentiu o gostinho de tudo um pouco que Angra tem ?

Pois esta é a nossa Irmã saudável e culta, turística e festeira, que Gramado abraçou oficialmente em 9 de março de 2004. Momentos históricos vividos de 7 a 14 de março de 2004, quando, num dos prédios mais antigos das ilhas dos Açores, aconteceu o ato solene de assinatura do Protocolo de Geminação que vai servir de passagem e de apoio aos que buscam conhecer, crescer em cidadania e, especialmente, dividir com todos os frutos de suas vitórias.

Tenho certeza de que vamos ter muitos momentos em conjunto e certamente, terá sempre valido a pena, pois “ futuro a Deus pertence” e projetá-lo, a nós. Que tenhamos bons sonhos e projetos para realizar com esta nova terra irmã de Gramado. De tudo um pouco, a gente vai vivendo por aí, levando o nome de Gramado e seus amigos em frente... ao futuro com cultura e amizade verdadeira. O turismo pode nos dar este prazer...

Pois vejam só... Depois de tantas idas e vindas pela história, voltei a Angra do Heroísmo em setembro 2005, para participar de um workshop de artistas plásticos, a convite do Gabinete Regional das Comunidades Açorianas, e com certeza para dar continuidade nesta nossa história que agora, tem alguma coisa mais em comum : a arte. Vivi momentos novos e únicos em companhia de outros 8 artistas do Canadá e Estados Unidos e convivi com velhos e novos amigos de lá, pois afinal, esta é a 4ª vez que me vejo andando pelas ruas de Angra e repetindo a mim mesma: por que será que o turismo português não trabalha mais as suas ilhas?

“Adoro ver o nome de Gramado ao sabor do vento, mostrando sua capacidade histórica de conquista antropológica e cultural. Adoro ver que o nome de Gramado pode ser relacionado também com pesquisa e seriedade de relatos nos caminhos da cultura internacional. Vou continuar sentindo assim e fazendo isto enquanto viver.”

Espero poder ter animado a todos os leitores para uma curiosa visita aos AZORES ( assim você acha no Google ), como são mais conhecidos e verificarem se estou ou não dizendo a verdade ! CONFIRA !